Entre as coisas que mais me fazem falta, se encontra a minha capacidade de criar. É dificil ter que acordar cedo e dormir tarde todas as noites, sendo tomada por uma rotina que não me agrada. A minha mente grita por liberdade de expressão. É um desejo louco de criar, imaginar. Mas a falta de tempo, consequência da minha rotina, acaba fazendo com que nada saia do papel. E isso me deprime. E todos os dias perdem a graça quando troco os números e formalidades pelos sonhos. Me deixa sonhar em paz. E mais do que sonhar, me deixa ser. Me deixa construir a estrada e seguir, que o resto é consequência.
Acordava. Mal colocava os pés no chão e já estava com a vida planejada. Café da manhã, sapatos novos, escola, casa, almoço, mil atividades extracurriculares, sono. E no outro dia, a mesma coisa chata de sempre. No fundo, ela só queria ser mais uma menina. Não queria que vissem perfeição nela, porque ela nunca foi perfeita. Nem tinha intenção de ser. Queria que vissem os defeitos, que os apontassem, ela não se importaria.
Queria ser tirada da redoma de vidro que foi colocada logo ao nascer. Queria uma vida nova, onde pudesse ser só mais um alguém. Queria gritar aos quatro ventos: “Chega de toda essa merda de manipulação! Eu não aguento mais!” e ser ouvida, afinal, gritar alivia mas não resolve. E ela queria a solução.
Queria deixar a máscara de Barbie pra trás e ser só ela.
Uma menina, com toda uma vida planejada.
Eu tenho urgência de você. Aqui, agora. Não mais tarde, não um dia qualquer. Agora.
Eu perdi tempo demais, eu tô perdendo meu tempo, com nada. A gente perdeu muitas horas, muitas lembranças e sempre foi culpa sua.
Eu sempre tive urgência de você. Eu passava semanas me embebedando com saudade e me desapontava na hora certa. Cinco minutos depois. Três horas depois.
E eu, eu só queria o “agora”.
Eu sou essa pessoa de urgências. Meio mimada, muito mimada, não sei.
Só sei que o amor é uma urgência.
E eu quero você, aqui, agora.